HOMENAGEM AOS PAIS (em ritmo de samba)

J.VIGGIANI

O que dizem sobre os pais servirem de exemplos para os filhos ou que eles têm grande influência na formação dos mesmos, posso afirmar que é verdade. Eu mesmo sou um exemplo disso, pois meu falecido pai saía com outros amigos fantasiados de baiana (tipo Carmem Miranda) para ladear a corda da escola de samba e evitar corte da corda ou invasão por parte de estranhos, graças a esta hereditariedade nosso samba se perpetua.

Começamos falando de um grande sambista chamado Antonio Candeia Filho, carioca nascido em 17 de agosto de 1935e falecido em 16 de novembro de 1978, conhecido como Candeia, filho de sambista e criador da Comissão de Frente nas Escolas de Samba, entre vários sucessos compôs em 1975 “Testamento de Partideiro” que dizia: “ Quem rezar por mim que o faça sambando.”.   Tivemos também outro grande compositor e cantor chamado Luiz Melodia, filho do sambista Oswaldo Melodia, nascido e criado no morro do Estácio, aos 21 anos suas composições eram cantadas por Gal Costa e Maria Betânia. Outro filho de sambista que fez sucesso foi Mario de Souza Marques Filho o Noite Ilustrada, apelido que ganhou do humorista Zé Trindade da Rádio Mayrink Veiga, devido ao seu vicio em palavras cruzadas e estar sempre com uma revista que tinha esse nome em mãos. Seu pai era enturmado com a patota da Portela, onde aprendeu a ser sambista, indo depois viver em São Paulo.

Outro filho de sambista que faz grande sucesso, pois herdou do pai seu suingue para cantar samba é o Diogo Nogueira, filho do grande João Nogueira com quem tive o prazer de papear diversas vezes junto com meu primo Osmar e saborear umas doses de conhaque sua bebida predileta, criador do bloco carnavalesco Clube do Samba, João teve sua estréia musical com a divina Elizete Cardoso. Não podemos esquecer-nos de Peri Ribeiro que foi sucesso como cantor na década de sessenta, filho de Herivelto Martins, grande compositor que foi enredo em 1986 da Escola de Samba Unidos da Ponte, participou do Grupo Trio de Ouro junto com Dalva de Oliveira.

Não existe gene da música que prove a hereditariedade dos filhos dos sambistas, mas a musicalidade e o ambiente em que crescem colaboram para ser o samba uma coisa hereditária, trocando em miúdos: “Filho de peixe, peixinho é”. Temos exemplos disso através de Arlindinho filho de Arlindo Cruz, Marquinhos Nunes, filho do compositor Marquinhos PQD, Paulo Rufino, filho do Sérgio Rufino do Grupo Revelação, Henrique Arcanjo é filho de Mestre Coé, diretor de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, falecido em 21/11/2008. Outro sambista é Andrézinho do Grupo Molejo, filho do grande José Pereira da Silva o Mestre André (1932/1980) da Mocidade, inventor da “paradinha” da bateria, junto com Tião Miquimba criou o surdo de 3ª, foi um revolucionário na arte de reger uma bateria em Escola de Samba. Temos Martinho da Vila pai de Martinália. E aqui bem pertinho de nós temos o Amaralzinho filho do interprete Amaral da Escola de Samba Antiga Abissínia, que já se inicia na arte de interpretar samba enredo.

Estes são alguns exemplos de sambistas cujo os filhos seguem os passos dos pais no mundo do samba, não dá para citar todos, pois a lista é grande e as histórias são imensas. Mas foi uma forma que encontrei de prestar uma pequena homenagem aqueles pais sambistas neste dia 14 de agosto, dia em que se comemora o dia dos pais, estejam eles entre nós ou no andar de cima.

FELIZ DIA DOS PAIS seja você sambista ou não.

(*) Júlio Viggiani – é uma verdadeira enciclopédia da música brasileira e em especial do samba e dos movimentos musicais de raiz.

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